(...) A continuação desta avenida até ao Forte de S. Tiago é das obras mais importantes a realizar na cidade do Funchal sob o ponto de vista urbanístico, (…) queremos dizer sob o ponto de vista de circulação, embelezamento, salubridade e tudo o mais que [a] transforma (…), numa artéria moderna. (...).1
(...) A continuação desta avenida até ao Forte de S. Tiago é das obras mais importantes a realizar na cidade do Funchal sob o ponto de vista urbanístico, (…) queremos dizer sob o ponto de vista de circulação, embelezamento, salubridade e tudo o mais que [a] transforma (…), numa artéria moderna. (...).1
Depois do Funchal ter passado por dois grandes ciclos económicos; o do açúcar e o do vinho, a cidade assume uma nova referência turística internacional. O Turismo será o novo impulsionador económico nos séculos XIX e XX, beneficiando da conjuntura europeia verificada nos inícios do séc. XIX, em que as guerras liberais bloquearam as vias de acesso a estâncias hoteleiras do sul da Itália e da França, desviando o fluxo turístico para o Funchal.
Nos inícios do século passado, com a chegada da população rural atraída pelas melhores condições de vida oferecidas pela cidade, o Funchal transformou-se e sentiu necessidade de alargar a rede viária, possibilitando a circulação dos novos meios de transporte que emergiam nesta época e que ligavam a cidade a novas zonas habitacionais, ao mesmo tempo que se tornava indispensável a criação de uma série de novos Serviços e Equipamentos Públicos. A cidade modernizava-se, apoiando-se no “Plano Geral de Melhoramento do Funchal”, do arquitecto Ventura Terra, elaborado em 1915; Rasgava-se a cidade com amplas Praças e Avenidas, Parques, Jardins e Bairros; embelezava-se com estátuas e edifícios da autoria de criadores de renome, tais como: Francisco Franco, Anjos Teixeira e Lagoa Henriques na escultura, Raul Lino, Edmundo Tavares, Óscar Niemeyer e Chorão Ramalho, na arquitectura.
O alargamento espacial que se verificou na cidade do Funchal, principalmente a Oeste, criou as condições necessárias para a implantação de novas unidades hoteleiras.
Até finais do século XIX, o Funchal encontrava-se encerrado nas suas muralhas, num núcleo densamente construído, embora as encostas tenham sido rompidas pelas vias de acesso que ligavam pequenos núcleos nas zonas rurais. No século XX, com a desvalorização da economia rural, o desenvolvimento do turismo, dos serviços e do comércio, muita da população rural foi atraída para a cidade. Por outro lado, o avanço da ciência – com a consequente diminuição da mortalidade – fez aumentar expressivamente a população, acentuando a pressão imobiliária, fazendo aparecer inúmeras construções de tipologia unifamiliar, construídas em bairros, em parcelamentos ou de uma forma clandestina.
A seguir ao açúcar e ao vinho, o turismo foi, nesta época, o novo suporte da economia da região. A natureza e o clima começaram a atrair os primeiros turistas; os quais inicialmente se instalavam em pequenos palacetes, adaptados para esse fim, no centro da cidade, e nas quintas que, numa busca pelo contacto com a natureza, se construíam pela encosta acima.
A extensão da cidade para oeste foi anunciada no plano do brigadeiro Reinaldo Oudinot.
A planta do Funchal que acompanha este roteiro, tem uma sobreposição da malha urbana correspondente à época tratada, de modo a que o visitante se aperceba da localização espacial dos imóveis do período em questão e possa concluir que grande parte da malha da época resistiu até aos nossos dias.
1 J. G. Faria da Costa; “Estudo de Remodelação da Zona Marginal da Cidade do Funchal”, 1 de Agosto de 1945, Câmara Municipal do Funchal, cota 801, processo n.º 37.