"(...) Defendem a Cidade nove fortalezas, que são a de Loures, Santiago, S. Pedro, S. Felippe, o Reducto da Alfandega, S. Lourenço, e o de Penha de França; no mar a fortaleza do Ilheo, e por sima da Cidade a do Pico de S. João; (...). A mais marinha de toda a Ilha he guarnesida ou de inacessíveis rochedos, que a defendem, ou de fortins, e vigias artilhadas, nos portos mais arriscados, e abertos, (...)"1.
"(...) Defendem a Cidade nove fortalezas, que são a de Loures, Santiago, S. Pedro, S. Felippe, o Reducto da Alfandega, S. Lourenço, e o de Penha de França; no mar a fortaleza do Ilheo, e por sima da Cidade a do Pico de S. João; (...). A mais marinha de toda a Ilha he guarnesida ou de inacessíveis rochedos, que a defendem, ou de fortins, e vigias artilhadas, nos portos mais arriscados, e abertos, (...)"1.
A situação geográfica da Madeira no espaço atlântico e a incessante investida de piratas e corsários, legitimadas por opções políticas das coroas europeias, determinara a fortificação da cidade no século XVII. Enriquecida com o comércio do açúcar, torna-se conhecida dos navegadores europeus e cobiçada pelos corsários, sendo, em 1566, saqueada ao comando do pirata francês Bertrand de Montluc. Na sequência deste ataque, foram enviados à Ilha Jesuítas para a assistência espiritual da população, desencadeando-se, simultaneamente, a construção da linha de defesa da cidade com a muralha frente mar e junto aos limites das ribeiras fechando-se, na parte sobranceira com a Fortaleza de S. João e, a Este, na zona oriental da cidade, com a Fortaleza de São Tiago.
Com o declínio da produção açucareira, em finais do século XVI, substituíram-se os canaviais por vinhedos, dando origem ao chamado Ciclo do Vinho, que internacionalmente adquiriu fama e proporcionou a ascensão de uma nova classe social, a Burguesia. O comerciante inglês instalou-se na praça Funchalense a partir do século XVII, consolidando-se os mercados da América do Norte, das Antilhas e da própria Inglaterra. A Madeira tornou-se uma referência obrigatória e da riqueza gerada por este produto resultou a progressiva mutação na paisagem da cidade, traduzida na arquitectura dos palácios das Ruas dos Ferreiros, Netos, Carreira e Mouraria, e no interior dos templos religiosos, pelo dinamismo da pintura e da talha barroca.
Nos séculos XVII e XVIII, a estrutura da “cidade do vinho sobrepôs-se à cidade do açúcar”2, com a abertura de mais algumas artérias. Foi adoptado um novo estilo arquitectónico, empregue em palácios, casas de habitação, armazéns e edifícios determinantes para a cidade. Densificou-se o tecido urbano, contido pelas muralhas e fortes, que cresciam junto ao limite da Ribeira de S. João até ao forte de S.Tiago, transformando o Funchal numa cidade fortificada.
A planta do Funchal, que acompanha estes roteiro, terá sempre uma sobreposição da malha urbana correspondente à época que o roteiro trata, de modo a que o visitante se aperceba da localização espacial dos imóveis do período em questão e possa concluir que grande parte da malha da época resistiu até aos nossos dias
1 Henrique Henriques de Noronha, "Memórias Seculares e Eclesiásticas para a Composição da História da Diocese do Funchal na Ilha da Madeira", Funchal, CEHA, 1996, p.45-46.
2 António Aragão , «Alguns Tópicos para a Classificação Urbanística da Madeira», in “Revista Islenha”, fasc.nº9, Jul.-Dez, 1991, p.27.